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Brasil Política — 18 de maio de 2017 às 17:25

Não renunciarei, afirma Temer

Não renunciarei, afirma Temer


A renúncia de Michel Temer (PMDB) dada como certa no início da tarde desta quinta-feira (18), acabou não saindo neste momento. O presidente optou, após extensivas reuniões, por não deixar a rampa pela porta dos fundos. Na última sexta-feira (12), o peemedebista completou um ano à frente da presidência.

No pronunciamento oficial, Temer repetiu o que havia dito na nota oficial de quarta-feira (17) que nunca autorizou ou solicitou dinheiro. “Quero deixar muito claro que o meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. A revelação de conversa, gravada clandestinamente, trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada”.

O presidente ainda falou que não se pode jogar no “lixo da história tanto trabalho feito em prol do país. Ouvi realmente o relato do empresário que por ter relações com o ex-deputado auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse”.

No que se refere à abertura de investigação do Supremo Tribunal Federal (STF), Temer afirmou que “será território onde surgirão todas as explicações. E no Supremo demonstrarei que não tenho nenhum envolvimento nestes fatos. Não renunciarei. Repito, não renunciarei. Sei da correção de meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade e dúvida não podem persistir muito tempo. Se foram rápidas nas investigações clandestinas não podem tardar nas soluções”.

Contudo, na manhã desta quinta, o ministro das Cidades Bruno Araújo (PSDB) entregou o cargo, sendo a primeira baixa pública. O Congresso Nacional amanheceu sem a tropa de Temer o que indica, nos bastidores, o isolamento do presidente e que o potencial destrutivo das delações é imensurável.

Conforme apurou a reportagem do BNews, as declarações do senador Ronaldo Caiado, líder do DEM, que sugerem a renúncia seguida de convocação de eleições diretas, refletem o sentimento da base de Temer no Congresso. Com índices de popularidades abaixo dos 5% o que dá sustentação ao presidente é a base aliada.

No entanto, a habilidade de negociar com o Legislativo não foi suficiente para garantir a Temer representantes de peso na sua defesa. A trincheira foi esvaziada e os tucanos desembarcaram também. A diferença entre os representantes do PSDB e do DEM é que os primeiros defendem eleições indiretas e os segundos as diretas.

Para além, já se discutia na Câmara dos Deputados a linha sucessória. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), é investigado pela Lava Jato e recebeu dinheiro de OAS, UTC, Odebrecht e ainda paira sobre ele o “risco”, conforme relatado à redação deste site, da possibilidade real de estar na delação de Eike Batista.

O presidente do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE), também teve outro inquérito aberto nesta quinta. Nos corredores do Congresso Nacional circula a informação de que a presidente do SFT, Carmén Lúcia, pode assumir para convocar eleições.

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Edson Andrade

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